21 de set de 2009

SÍNDROME DE ANGÚSTIA RESPIRATÓRIA DO ADULTO (SARA)

DEFINIÇÃO

Estado de desconforto respiratório de alto risco decorrente de uma
lesão pulmonar aguda, com diminuição da oxigenação (PaO2/FiO2
< 200), infiltrado pulmonar bilateral e PAOP normal (pulmonary
arterial occlusive pressure < 18 mmHg).

CAUSAS TÓXICAS

Aspiração de hidrocarbonetos
Inalação de irritantes (cloro, NO2, fumaça, ozÔnio, altas
concentrações de oxigênio, fumos metálicos, gás mostarda)
Paraquat
Opiódes (heroína, morfina, dextropropoxifeno ou metadona).

CAUSAS NÃO TÕXICAS

Aspiração pulmonar (frequentemente ocorre associada à intoxicação)
Doença sistêmica aguda e grave, como infecção, trauma ou choque.

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

Os sintomas mais precoces são aumento da frequência respiratória,
dispnéia e cianose. Ao exame físico, estertores inspiratórios finos
podem ser audíveis. O raio X de tórax mostra infiltrado bilateral
difuso, embora inicialmente possa ser mínimo ou ausente.

Posteriormente, o paciente torna-se mais cianótico e com aumento da
dispnéia e taquipnéia. Os estertores são mais proeminentes. O raio X
pode mostrar completa opacificação.

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

Edema pulmonar agudo cardiogênico
Pneumotórax
Pneumonia bacteriana ou viral

INVESTIGAÇÕES RELEVANTES

Gasometria arterial - diminuição de PaO2 com relação PaO2/FiO2
abaixo de 200,
Raio X de tórax - pode variar de infiltrado pulmonar bilateral até
opacificação completa.
Investigação hemodinâmica por cateter de Swan-Ganz - pressão arterial
pulmonar oclusiva (PAOP) abaixo de 18 mmHg.

TRATAMENTO

Pacientes com SARA devem ser admitidos em Unidade de Tratamento
Intensivo.

O tratamento inclui:

Ventilação mecânica com volume controlado (volume = 6 a 10 mL/kg)
e alta concentração de oxigênio. A FiO2 deve ser suficiente
para manter uma oxigenação adequada (PaO2 >90 mmHg ou SaO2 >
92%). Pressão positiva expiratória final pode ser utilizada (5 a
10 cm H2O), cuidadosamente devido ao risco de barotrauma.

Restrição de fluidos para diminuir PAOP e edema pulmonar.

Decúbito lateral ou ventral e suporte respiratório extracorpóreo
tem sido proposto em pacientes não responsivos à adequada
ventilação mecânica.

Novos métodos de tratamento ainda em investigação incluem:

Inalação de Óxido Nitroso, que pode ser benéfico melhorando a
hipertensão pulmonar e as trocas gasosas.

N-Acetil-Cisteína EV, que poderia aumentar os surfactantes
pulmonares.

A utilidade dos corticosteróides não foi estabelecida.

EVOLUÇÃO CLÍNICA E MONITORIZAÇÃO

SARA é uma síndrome grave, com taxa de mortalidade de 40 a 60%.
Numerosas complicações podem ocorrer levando a falência de múltiplos
órgãos.

O tratamento da SARA requer monitorização rigorosa de:

Gasometria arterial,
Parâmetros respiratórios,
Parâmetros hemodinâmicos, especialmente pressão de artéria
pulmonar (cateter de Swan-Ganz),
Oximetria de pulso,
Raio X de tórax.

Monitorização de outros parâmetros podem estar indicados conforme a
causa ou na ocorrência de falência de outros órgãos.

COMPLICAÇÕES TARDIAS

Fibrose pulmonar crÔnica pode ocorrer.

AUTOR(ES)/REVISORES

Autor: Dr. A. Jaeger, Director, Service de Réanimation
Médicale et Centre Anti- Poisons, HÔpital Civil de
Strasbourg, Strasbourg, France.

Revisores: São Paulo 9/94
Cardiff 3/95
Berlin 10/95: J. Szajewski, A. Jaeger.

Tradutor: Dr Ligia Fruchtengarten, Março 99